Depoimentos

Depoimentos Recentes

Depoimentos publicados nos catálogos das três últimas exposições do artista:

  1. Museu Histórico Nacional - Flores, Rio de Janeiro (exposição oficial das Olimpíadas), 2016.
  2. Harvard University, MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Harvard Club Boston - Flores para Harvard, USA, 2019.
  3. Museu Inimá de Paula - Flores para Inimá, Belo Horizonte, 2022.

 

 

“Araripe, sua pintura, para mim, é poesia. Tem a beleza das cores, a pureza e a alegria das crianças e o talento do artista. Assim criam os verdadeiros mestres”. Milton Ribeiro, pintor, professor de artes gráficas da Universidade Nacional de Brasília – UNB, in catálogo exposição Pipas, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1992.

 

 

“Admiro a arte e o talento de Oscar Araripe, cujo trabalho fiquei fascinada desde o primeiro momento em que vi. É de impressionar a beleza de suas pinturas que combinam criatividade e sensibilidade com emoção.

Tenho certeza que a força emocional do jardim criado por Oscar será sempre lembrada por aqueles que observarem sua obra. Afinal, só existe memória com emoção”. Sheila Roza, in catálogo exposição Flores, Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, 2016.

 

 

Não se pode nem deve falar em ‘fases’ da pintura de Oscar Araripe. Na verdade, trata-se de um artista que aborda vários temas com um estilo personalíssimo. Assim, suas flores, marinhas, casarios, paisagens, animais, retratos, eróticos e subjetivos têm um tratamento todo próprio e que ao serem revisitados conservam a mesma abordagem estilística de sempre, não importando tempo ou data em que são realizados.

Ademais, suas posições, seu modo de vida, sua obra compõe um todo harmônico, a concorrer por certo para esse inusual e feliz transbordamento verdadeiramente fantástico, extraordinário, que sua pintura revela”. Wilson Almeida Lima, in catálogo da exposição “Ouro Preto Todo Meu”, Galeria Villa Riso, Rio.

 

 

As Minhas Flores

“Minhas flores são flores que não são flores, em vasos que não são vasos, sobre toalhas que não são toalhas. Às vezes são visitadas por borboletas, que nem são borboletas.

São flores alegres, silenciosas, que gritam. A cor é a bondade da flor. Formosa é a forma da flor e a flor da forma. Pintar a flor da flor – eis o fim da pintura.

Síntese: fazer de tudo, de tudo fazer; para depois só flores pintar. Pinto para que tudo vire pintura.

Receber com flores. Nada melhor. Nada maior. A pessoa da flor; ninguém a amou mais que eu.

As cores são invenções das flores. Viva é a surpresa de uma flor... Borboletas, flores. Extravagantes ambas, entre uma e outra o meu coração balança. Tudo que pintei foram cósmicas paisagens de flores magnetares.

Como a arte faz a vida? – eis a nossa questão. Mas, ao pintar um novo jarro de flores, tudo desaparece, pois a arte é anterior à própria vida.

A Liberdade é uma questão estética, não existe beleza na miséria. Toda flor é bela. Todo belo é livre.

Eu pinto flores para viver de cores e morrer alegre”. Oscar Araripe, in catálogo exposição “Flores para Harvard” / Harvard University, abril de 2019.

 

 

“Na qualidade de Deans da Leverett House da Universidade de Harvard, temos o prazer de apresentar a exposição de pinturas de Oscar Araripe e de hospedá-lo como Artista-Visitante-em-Residência em nossa casa. Nosso objetivo é incrementar as relações culturais entre a Leverett House e a comunidade de professores e alunos de Harvard. A volta de Oscar Araripe à Harvard, com suas pinturas, traz o extraordinário sentido de riqueza do Brasil ao nosso ambiente de Cambridge. Seja Bem-vindo!”. Brian Farrell e Irina Ferreras, Deans da Leverett House – Harvard University, USA, in catálogo exposição Flores para Harvard, 2019.

 

“A propósito da exposição de Oscar Araripe, com o título singelo de “Flores”, na Academia Brasileira de Letras, no Rio, e na conceituada galeria Teodora, em Paris, e depois em quatro espaços culturais da Universidade de Harvard, onde Oscar foi bolsista em duas ocasiões, em 1966 e 1968, e agora no suntuoso Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, lembro que o curador e crítico Alexei Bueno disse: “as flores dos seus quadros são como borboletas, as suas pétalas são asas, e não sabemos se as flores são borboletas pousadas nos caules ou se as borboletas são flores que passaram a voar”. Lembrei-me de uma passagem de Jorge Luis Borges em que o filósofo chinês Chuang Tzu  sonhara ser uma borboleta, e não sabia, ao acordar, se era um homem que sonhara ser borboleta ou uma borboleta que sonhara ser um homem. Oscar Araripe não tem dúvidas deste tipo. É de olhos bem aberto que proclama sua simpatia universal por todos os viventes. E não é pelo sonho que Araripe amalgama as várias personalidades que convivem dentro dele, mas por um saber lúcido, adquirido pela intimidade com autores habituados a explorar psicologias complexas. Mas entre as várias pessoas dessa pessoa múltipla (foi jornalista, editor, colunista, escritor, ensaísta...) está naturalmente a que acabou se tornando dominante, a de pintor (e não artista plástico, expressão que ele com toda razão abomina).

Decidiu desde cedo tornar-se pintor, vocação que ele descobriu colecionando figurinhas, que os garotos grudavam num álbum, para concorrer a prêmios muito cobiçados. Um dia, desembrulhando uma bala, surgiu a “figurinha difícil”, as Três Graças, de Rafael, em todo esplendor de sua radiosa nudez. Foi o bastante... Mas tanto quanto pude apurar, Oscar nunca teve uma educação artística formal. Para ele, o essencial do seu aprendizado, fez-se em sua infância num bairro proletário do Rio de Janeiro, soltando pipa, jogando bola de gude, correndo atrás de balões. O que existe – assim resume ele o seu credo artístico – é a arte, e a arte faz a vida, e a vida as cores. Só o próprio Oscar pode dizer se ele realizou ou não sua ambição de tornar-se ”o maior pintor de sua rua”, mas qualquer observador neutro dirá que ele se tornou um dos maiores pintores do Brasil. E um dos mais inovadores, haja vista o uso da vela náutica como suporte de suas pinturas e de grandes estruturas tubulares como moldura para expor sua obra continuamente ao ar-livre. Há 20 anos, Araripe tem se concentrado no tema das flores, como se viu. Diz ele: “Síntese: fazer de tudo, de tudo fazer, para depois só flores pintar”. De fato, ele tem criado tantas e tão belas flores, que dele se poderia dizer o que se disse de Madeleine Lemaire, ilustre pintora francesa, amiga de Proust: depois de Deus, ninguém criou tantas e tão belas flores quanto ele. E justo é mentir um pouquinho mais: tanto quanto Deus...

Ou seja, alguém pode surpreender-se que esse homem tão múltiplo e de obra tão bonita e inovadora tenha se tornado um dos principais centros de irradiação cultural de Tiradentes, do Brasil? E do mundo?”. Sérgio Paulo Rouanet, filósofo, ensaísta, embaixador, ex-ministro da Cultura do Brasil, membro da Academia Brasileira de Letras, in catálogos exposições Flore, Galerie Teodora, Paris, França, 2013, Flores para Harvard, Cambridge, USA,  2019 e Flores para Inimá, Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte, 2022.

 

 

“Quando Oscar e eu descobrimos que estudáramos em Harvard foi o início da nossa amizade. Sentimos de imediato o desejo de fazer algo juntos e aproximar o Brasil de Cambridge. Sua exposição em Harvard é o resultado. A arte de Oscar é rica e alegre, fabulosamente colorida, e explode na tela, e para fora dela. Nada melhor do que suas flores para celebrar o final dos longos dias de inverso em Cambridge. Nada melhor que seu largo sorriso e seu notável cabelo branco para iluminar uma noite fria de estudos que antecede uma prova. Tudo isso é a sua arte! Curtam. E apreciem o Brasil”. Peter Byrd Rodenbeck, in catálogo exposição Flores para Harvard, 2019.

 

 

O pintor Oscar Araripe e a construção do ser

“O enigma e a magia que nos envolve ao entrar em contato com a pintura de Oscar Araripe talvez tenha uma causa bem definida. Entretanto, conhecê-la, não elimina o mistério. O olhar continua impregnado de encantamento, pois certa opacidade no tratamento dos seus temas torna o seu trabalho extremamente matérico. O tema está presente em toda a superfície do suporte e pode-se dizer que ele se inicia e termina em toda a parte e esta onipresença é imensamente enigmática e sedutora. Os seus personagens são símbolos do herói clássico, como se viu no seu já clássico retrato de Tiradentes, o mártir da independência do Brasil. E as suas flores, recorte conceitual da saudade do Paraíso, é uma visão renovada do Novo Mundo e uma proposta existencial de futuro. Ele diz que “O 21 será o século dos poetas e dos jardineiros, ou não será século nenhum”. Araripe é um jardineiro cósmico, jardineiro e poeta num só corpo, sempre criando fragmentos paradisíacos. E, em tudo, o nosso olhar abarca uma superfície que parece infinita e que, à semelhança do infinito, não tem começo e nem fim.

Autodidata, Oscar Araripe é um caso raro na arte, já que a sua obra é assumidamente simbólica e o seu processo de construção é tecnicamente inovador. Em 1984 o pintor introduziu a vela náutica (dracon poliéster) como suporte e o uso de tintas sintéticas como o melhor sistema para construir a imagem. O resultado é que a sua pintura, feita em tela, pode ser exposta permanentemente ao ar livre. É resistente à natureza. E oferece uma nova perspectiva de exposições, murais e contato com o público. O que resultou em um contato com milhares de pessoas. Esta técnica em seu procedimento gestual aproxima-se da aquarela já que não permite a correção. Delicadeza e permanência.

Parecia inconciliável esta junção da inovação tecnológica e da concepção simbólica da realidade. Não parece mais. Oscar Araripe faz o retrato do Brasil, desde a imaginação europeia sobre o Novo Mundo, até a auto-percepção do Brasil atual na qual consta a prodigalidade dos seus recursos naturais e a beleza inestimável da sua natureza. De certa maneira, ao juntar a inovação tecnológica e uma nova perspectiva para a pintura no século vinte e um e a ênfase no universo abrangente da imaginação simbólica e a sua possibilidade de agregar o futuro ao histórico, o artista traça a sua própria e original trilha e oferece ao público a prospectiva de um tempo paradisíaco.

É possível que a formação renascentista de Oscar Araripe tenha contribuído para a construção deste universo, já que no seu percurso pessoal ele foi e é escritor, jornalista, jurista, político e pintor. E que tenha como conceito da função do artista encontrar o “pessoalismo”, uma aventura em busca da identidade única do ser. O resultado, para nós, é a criação de um universo onde todas as coisas são harmônicas e no qual, de maneira permanente, podemos encontrar o mistério e a plenitude”. Jacob Klintowitz, da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte, in catálogo exposição Flores para Harvard, 2019.

 

 

Flores / de Oscar para Inimá

“É possível que o tema flores em pintura agrade o público universalmente por ser conteúdo de fácil observação, sobretudo para aqueles neófitos em arte. Por neófitos refiro-me àqueles espectadores que desconhecem as exigências de uma composição equilibrada, o número de ouro, ritmo e a mistura de cores. Além disso, elas agradam por que seus coloridos são um item decorativo em qualquer ambiente. Mas que o leitor não as imagine simples de serem harmonizadas de forma artística em óleo ou acrílica sobre tela ou no papel de uma aquarela. Elas requerem o mesmo cuidado de uma paisagem bem composta e dão o mesmo júbilo ao artista e ao espectador quando prontas. Para amadores e pintores de fim de semana, é o tema mais fácil de ser mal pintado. Para Oscar Araripe é o tema mais difícil de inovar em pintura, por ser, talvez, o mais pintado.

Esta exposição de Oscar Araripe criada com afeto próprio de quem é humanista, homenageia o artista Inimá que merece uma floricultura do tamanho de seu talento. Ele nos deixou em 1999, pouco antes da virada do milênio quando completara 81 anos de vida e mais de 60 dedicados à pintura. Paisagens, retratos, abstratos, autorretratos, cidades mineiras e marinhas, you name it, ele estava lá marcando sua presença com suas deslumbrantes cores. Passados mais de 20 anos de seu desaparecimento, convidado a expor pelo Museu Inimá de Paula, Oscar Araripe tem a gentil ideia de reverenciar o universal mineiro que tanta saudade deixou.

E esta não é primeira homenagem em forma de flores do generoso pintor. Premiado com bolsas de estudo pela Universidade Harvard nos anos 1960, voltou, 50 anos depois, e lá expôs recentemente “Flores para Harvard”, uma homenagem àquela que lhe deu o oxigênio que precisava para sobreviver exilado nos anos de chumbo em país estrangeiro. Carioca, premiado várias vezes por diferentes instituições pela sua pintura, é cidadão honorário de Minas Gerais e de diversas cidades brasileiras.

Falar de Oscar é ressaltar a biografia de um ativista político cuja vida intelectual começa como estudante de Direito no Rio de Janeiro, passa por tradutor, escritor, jornalista, editorialista, crítico de teatro e chega a de artista consagrado em várias exposições no Brasil e no exterior. Atua em Tiradentes (MG) onde tem uma galeria pessoal em casa restaurada e fixada bem no centro histórico da cidade, casa com jardim, tão cheia de flores e cores quanto seus trabalhos. Araripe pertence à geração dos anos 1940, época de grandes tragédias pelo mundo, todas a causar angústia nas jovens mães de então, a ouvir e a ler as más notícias diárias de uma guerra sem fim. Talvez por isso a maioria dos nascituros dessa década é determinada no que faz, lida bem com a objetividade que a vida exige, valoriza as relações sociais e é humanista a toda prova.

É assim a biografia de Oscar Araripe. Se o leitor tiver a fortuna de conhecê-lo e ouvi-lo falar de suas aventuras, não compreende por que ele não escreveu sua autobiografia tão rica de eventos e até de solidão digna de um eremita que viveu por anos nas montanhas da Itatiaia mineira. Conheceu e conhece todos os intelectuais mineiros, cariocas e paulistas dos anos 1960, 1970 e 1980. Foi apresentado em exposições por Jacob Klintowitz, Sergio Rouanet, Ricardo Viveiros, Frederico de Morais e tantos outros, a demonstrar seu prestígio junto ao mundo intelectual do País.

O leitor que desconhece os trabalhos de Oscar não deve pensar que flores são o único tema de seus trabalhos. Oscar já morou em Ouro Preto e pintou a cidade com o mesmo amor de todos os pintores apaixonados por ela, e, sobretudo, pintou Tiradentes, onde mora há trinta anos. É autor de painel de doze metros quadrados sobre o herói Joaquim José da Silva Xavier, exposto de modo permanente no Tribunal de Justiça em Belo Horizonte. Nele, há um Tiradentes atemporal, marcado por um azul suave e digno do herói.

Suas flores são criadas sobre um suporte inusitado para outros pintores: velas náuticas de poliéster, importadas, material mais que perene e que não permite pendimento, dificultando o trabalho cotidiano de alguns artistas, mas que não ele. Ao entrar em sua galeria plena de quadros de flores tão coloridos, sentimos como se ela fosse um jardim, tão rica em cores quanto àquele que percorre a sua casa. Elas mais parecem borboletas em conflito se ficam nas telas ou vão para o jardim ao lado. Não são somente elas que se angustiam em dúvidas. Há os colibris que dançam sobre as flores e ocasionalmente chegam a bicar alguma tela, imaginando ter entrado em outro jardim. Como estamos na primavera, há um lindo risco que o museu corre com essa exposição de que um bando deles possa entrar na sala de exposição, todos acreditando na fantasia própria de beija-flores e borboletas de que se trata de um novo jardim em plena Rua da Bahia”. Carlos Perktold é Psicanalista. Integra a Associação Brasileira dos Críticos de Arte e a Associação Internacional de Críticos de Arte, in catálogo exposição Flores para Inimá, 2022.

 

 

Flores para Oscar

“O gesto de presentear o outro com flores é um ato de gentileza, simbolizando gratidão e admiração. O significado das flores é universal, enquanto a arte, por sua vez, encontra o seu significado associado às diferentes formas que as sociedades representam e expressam o sentimento que têm pela vida.

É com esse gesto que Oscar Araripe resolveu retribuir o convite da Fundação Inimá de Paula para expor em nossa galeria, presenteando a cidade de Belo Horizonte com a belíssima exposição: Flores Para Inimá.

Assim como Inimá, Oscar Araripe explora com maestria o universo das cores em suas pinturas. Apela à sensibilidade pela vida representada pela efervescência cromática. Utiliza signos de forte empatia entre o público para expressar a celebração móvel do que é viver”. Mauro Tunes Jr., fundador e diretor do Museu Inimá de Paula.

 

 

As Flores em Oscar

“Compreender a expressão posta pelo artista Oscar Araripe em uma obra sua é incutir-se profundamente ao seu imaginar. Tarefa instigante e, ao fim, gratificante, para os olhos e para o coração, que se aliviam perante a beleza e as cores de cada pincelada! Equivale a adentrar ao recôndito de seu ser. Para quem o conhece, essa tarefa fica menos difícil. A arte flui para seu pincel nas formas e significados que sua alma deseja! Nada além do material e tudo aquém do imaterial. É sensibilidade!

Quando ele pinta, apenas transfere para nossos olhos o que subjetivamente existe em sua imaginação. Assim, as flores de Araripe são as flores que em seu jardim existencial são intimamente cultivadas.

É essa arte que, em parceria com a Fundação Inimá de Paula, Oscar mostrará ao público e, ao tempo, homenageará outro grande vulto das artes, com sua “Flores para Inimá”.

Ganho cultural para todos. Especialmente, uma forma alvissareira de retorno ao convívio com as artes, depois desses dias passados em isolamento. Sintamos “nas flores de Oscar para Inimá” o grande fenômeno do universo que faz admirada a natureza”. J. Afrânio Vilela / Mateus Resende Vilela, in catálogo exposição Flores para Inimá, 2022.

 

 

“Oscar Araripe é um artista de rara sensibilidade. Carioca por nascimento, mas mineiro por honraria, Araripe é multifacetado. Pintor, escritor e poeta, seu talento extrapola o campo das artes plásticas para conquistar admiradores nas mais diversas áreas culturais.

Despretensiosamente, nossos caminhos se cruzaram algumas vezes nos últimos anos. Na primeira vez que tive contato com a obra de Araripe, ainda na Faculdade de Direito da UFMG, a exposição “Tiradentes Revisitada” me impressionou pela alegria e beleza das cores. Anos mais tarde, na inauguração da nova sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o painel “Tiradentes, o Animoso Alferes” me marcou por sua expressão e simbolismo. Mais recentemente, durante a pandemia provocada pelo Covid-19, a exposição “Tiradentes Rediviva” me trouxe alento e a esperança de que dias melhores estavam por vir.

Assim, para mim e meus sócios, do HENRIQUES ADVOGADOS, é uma honra poder apoiar sua mais recente exposição, “Flores para Inimá”, em homenagem a outro grande artista formado entre as montanhas e o mar, Inimá de Paula. Se “a vida é a arte do encontro”, como diria Vinícius, que esse novo encontro seja de agradecimento e multiplicação desses sentimentos que Oscar Araripe nos proporciona”. Guilherme de Almeida Henriques, in catálogo exposição Flores para Inimá, 2022.

 

 

"O artista Oscar Araripe, formado pela tradicional Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, é, antes de tudo, um humanista. Por meio de sua arte, reconhecida e premiada nacional e internacionalmente, se expressa com delicadeza sobre a natureza, o meio ambiente, Minas, Tiradentes, a justiça e, sobretudo, o amor! "Flores para Inimá" é a sua homenagem ao grande pintor e à Minas Gerais, que o carioca Araripe escolheu para viver. A sua legião de admiradores agradece o gesto generoso, do fundo do coração!". Eduardo Maneira, in catálogo exposição Flores para Inimá, 2022.

 

 

Estética da esperança

“Costuma-se associar o alumbramento provocado pela arte ao estado mais pleno de felicidade: o genuíno êxtase, desprovido de qualquer ambição ou interesse. Esse arrebatamento imediato, suscitado por cores, traços e formas é o que nos propicia Oscar Araripe, com suas flores, vasos e imagens que tremeluzem; voam livremente, em imediata e inexplicável interação com o expectador, ao sabor de sua criatividade e de nossa imaginação.

Eis o encantamento suscitado pela pintura de Oscar. Para além de sua técnica refinada, da rara combinação de cores e da pesquisa acurada pela tonalidade precisa, o que mais seduz em sua obra é a sensação de harmonia e alegria que dela se extrai, a provocar por isso mesmo otimismo e, em uma palavra, a estética da esperança”. Gustavo Tepedino, in catálogo Flores para Inimá, 2022.

 

 

“Antes de conhecer Oscar pessoalmente, já nos consideramos grandes amigos, mercê de múltiplas convergências. Dentre elas estão as flores, que embora frágeis e efêmeras, têm o perene poder de encantar os olhos. E de polinizar a vida e a paz.

A partir daí, mesmo à distância, outras afinidades floresceram.

É…, como bem disse Oscar, “gambá atrai gambá!” Luiz Eduardo Coelho, in catálogo Flores para Inimá, 2022.

 

 

Semeando Flores

“Quando o José Oswaldo de Miranda Jr. me convidou a expor no Museu Inimá de Paula, eu aceitei de imediato, pela gentileza do gesto e a excelência do museu, e pensei em mostrar as minhas “flores que não são flores”, pois acabara de fazer quatro exposições na Universidade de Harvard (Flores para Harvard) e logo me surgiu a ideia ou mesmo a necessidade de chamá-la “Flores para Inimá”. Como expor flores no Museu Inimá e não dedicá-las ao belo pintor mineiro? Ademais , eu gostava muito do Inimá e de sua pintura. E ele gostava da minha.   Expusemos juntos, há uns 30 anos, em Ouro Preto.  E ainda que umas duas gerações nos separassem tínhamos, além da pintura, muitas coisas em comum: o Rio, o Ceará, a paisagem de Minas, a crença na vida das cores e nas cores da vida, a busca da Beleza e da Poesia, as marinhas, o casario mineiro, os retratos e autorretratos e, por fim, as flores.

As flores movem o mundo. Foram elas que introduziram na Terra, no Cretáceo inferior, a solução da sedução para a perpetuação das espécies, o que, para nós, é o Amor. Ou seja, estamos aqui por causa das flores. É também o tema mais difícil de inovar na Pintura, pois talvez seja o mais pintado. Revolução em Pintura, portanto, é pintar um novo jarro de flores, nada mais que isto. Ademais, pintar flores, hoje e mais que nunca, é um ato de amor à vida. Altamente subversivo, belamente subversivo, pois as flores estão se extinguindo e sua industrialização tende a reduzi-las a poucas. Onde as dálias, os camarás, as madressilvas, as onze horas, o manacá, as cristas de galo, os jasmins-do-brejo...? Onde, onde olhar os lírios do campo?

Pintar flores que não são flores é o sonho dos pintores. Nelas, alcançamos a maturidade plástica, pois são formas e cores, tão-somente, pura imaginação; ou seja, pura pintura, puro silêncio. Ou seja, quanto mais silêncio mais pintura, mais imagem. Pois assim é o silêncio que grita”. Oscar Araripe, in catálogo Flores para Inimá, 2022.

 

 

“Oscar adora uma boa conversa e está sempre disponível para receber seus amigos em sua, nossa, belíssima casa em Tiradentes.

Ele gosta de receber. E talvez por isso goste tanto de pintar flores. “Receber com flores, nada maior, nada melhor” – sempre repete. As pessoas, os pássaros, nossa casa, seu jardim. Todo dia ele dá canjiquinha para os passarinhos que freqüentam nosso exuberante jardim, que ele admira, inspeciona e trata todo dia. Dir-se-ia o seu jardim uma das suas mais belas pinturas, o seu mais belo poema. Pois assim como as coisas do mundo, ele sabe perfeitamente o que está acontecendo no seu jardim. Daí, coerentemente, falando aos olhos, ele diz que o 21 será o século dos jardineiros e dos poetas, ou não será século nenhum”. Cidinha de Alencar Araripe, advogada, presidente da Fundação Oscar Araripe, esposa do artista, in catálogo Flores para Inimá, 2022.

 

 

“Oscar Araripe realizou a proeza de criar uma nova flor, capaz de ter todas as cores e de ser todas as flores”. Manuel Garcia Noriega, escritor, in catálogo Flores para Inimá, 2022.

 

 

“A obra de Oscar Araripe tem uma íntima relação com o Mistério da Gratuidade! É atravessada pelos signos das flores que transbordam em Liberdade ao revelar as camadas visíveis e invisíveis de um Mundo imerso em profundo Mistério…!”. Rosara De Oliveira Maneira, in catálogo Flores para Inimá, 2022.

 

 

De Oscar para Inimá: O Perfume das Flores

“Oscar Araripe, cerca de 20 anos mais jovem do que Inimá de Paula, teve origem e trajetória bem diferentes do colega pintor que homenageia com esta oportuna exposição. Carioca de nascimento e mineiro por opção, Oscar Araripe, formado pela tradicional Faculdade Nacional de Direito (RJ), complementou seus estudos superiores em universidades da América do Norte e Europa. Apaixonado pela vida, ultrapassou os limites de jurista e se fez conhecido e respeitado também como ativista político, escritor, tradutor, ensaísta, crítico de teatro, jornalista, produtor cultural e pintor. Lutou contra a ditadura que o Golpe Militar de 1964 impôs ao Brasil, exilou-se no Exterior e no interior.

O artista multimídia tem, entretanto, uma real ligação com Inimá: a pintura. E não apenas a arte, como também o respeito à natureza das coisas, o puro prazer da emoção ao retratar – em cores vibrantes e traços fortes – a vida simples que está em nosso redor e, muitas vezes, não conseguimos admirar.

Oscar, cuja técnica apurada e o espírito revolucionário o fizeram descobrir inovadores suportes como a vela náutica de poliéster e o filme laser, buscou criar mágica percepção tridimensional. Oscar não fica apenas nesses significativos efeitos especiais,sua arte é pura sedução, magia. O racional e o emocional conversam, entendem-se e trazem, em cada quadro, um perfeito, sinérgico diálogo que provoca reflexão pela estonteante alegria. Suas flores saltam das telas em explosão de felicidade, uma arte original e única.

Em toda a história da pintura foram usados pouco mais de cinco tipos de suportes, e já é cientificamente comprovada a pouca durabilidade das telas industrializadas que levam componentes ácidos. Pesquisar e descobrir novos suportes, saber trabalhar sobre eles e, isso tudo, sem prejuízo do sentimento, permitindo luz, irradiando a ternura da poesia em cores fortes, é mérito de Oscar. Muitas vezes, com o incrível recurso de pintar também atrás da tela, trazendo transparência, reforça a profundidade que integra o espectador à imagem. O pleno prazer da arte.

Oscar Araripe já fez mais de uma centena de exposições, na maioria individuais, tendo suas obras em importantes acervos nacionais e internacionais, públicos e privados. Tem admiradores e mereceu positivas críticas da China aos EUA, passando pelo Reino Unido, França, México, Cuba e outros países.Talvez, um dos motivos de seu incontestável sucesso como pintor, esteja no fato de ser um raro artista que não passou por diferentes escolas, aliás, não passou por nenhuma, e também não teve fases. Sempre pintou comprometido apenas com o que lhe inspira: a vida – verdadeira vida na sua imensa complexidade e beleza. Isso se mostra presente há mais de meio século em obras com temas variados: retratos, paisagens, marinhas, casarios, erotismo... E flores, muitas flores colhidas com delicadeza do jardim da felicidade.

Inimá de Paula e Oscar Araripe são, ambos, leitores e contadores de histórias, fotógrafos sensíveis do dia a dia que vivemos sem nos dar conta dos pequenos detalhes. Com estilos únicos, estão identificados pela forma com que nos revelam a essência dos temas, a beleza das formas, a magia das cores. Em Inimá e Oscar a arte é algo mágico, intrínseco e capaz de promover transformações. Suas mentes e mãos, no ofício de pintar, são belas e úteis. Implicam em prazerosa reflexão, exigem amor à pureza de cada elemento.

Oscar Araripe oferece flores a Inimá de Paula. Estamos, todos, presenteados pelo artista. Quanto a Inimá, não duvidem, onde seja sua atual morada está sentindo o perfume que exala das telas desta justa homenagem”. Ricardo Viveiros, jornalista e escritor, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Internacional de Críticos de Arte (IACA), in catálogo exposição Flores para Inimá, 2022.

 

 

“Oscar Araripe vê as flores com olhar amoroso. E escreve sobre elas com pena leve. Parece que ele gosta de escrever sobre as flores tanto quanto de pintá-las. Ou de pintá-las assim como aprecia escrever sobre elas. Há uma cumplicidade sutil entre as palavras, os significados, assim como há também um jogo de formas e cores que fazem florescer a harmonia”. Enock Sacramento, crítico de arte e curador, membro da Associação de Críticos de Arte do Brasil e da Associação Internacional de Críticos de Arte, in catálogo exposição Flores para Harvard, 2019.